Montanha da Fortuna
O sobe-e-desce do mercado de ações pode não ser indicado para lucros em curto prazo, mas quem souber esperar pode ter ótimos rendimentos Texto Raoni Bories
Investir em ações é ter um pequeno pedaço da empresa em que se quer aplicar, porque ao adquirir papéis obtêm-se frações do capital social de uma companhia, apesar de haver quem compre e venda ações num mesmo dia - operação conhecida como "day trade" - o que não é aconselhado a iniciantes. O investimento em ações é de alto risco e só vale, em maior parte dos casos, no longo prazo. Isso acontece porque os humores do mercado podem oscilar absurdamente - por conta de conjunturas econômicas, setoriais, ou relativas a empresa própria em que se quer aplicar - fazendo com que não só se ganhe muito dinheiro em curto prazo, mas como se perca também. "É preciso esperar aproximadamente 15 anos para ter um lucro significativo", explica o professor e estrategista do mercado acionário, Mauro Calil. Por isso, é interessante começar a investir ainda jovem para que se tenha um bom retorno, por exemplo, na maturidade e velhice.
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Ações são chamadas de papéis porque antigamente participação era representada por títulos impressos em papel que conferiam ao portador direitos na sociedade. Hoje todo esse processo é feito eletronicamente.
*"apesar da crise, o Brasil está em uma ótima fase. Empresas que lidam com o mercado interno, são um boa pedida pela tendência a se valorizar mais. Por isso, empresas de construção e varejo voltadas para o mercado doméstico são, hoje, bons investimentos", José Góes, da WinTrade
Que negócio é esse?
Realizar a compra e a venda de ações é um processo que exige a mediação de uma corretora, única autorizada a fazer transações relacionadas ao pregão da bolsa de valores. Porém, antes de se tornar cliente de uma corretora é indispensável que o requerente dos serviços esteja a par das regras da instituição e ciente dos procedimentos operacionais, assim como taxas de corretagem adotados por ela. "O analista é responsável somente pelas transações, mas está isento da performance delas no mercado", explica Mauro Calil. Desse modo, possíveis perdas devido a nuances do mercado acionário nada têm a ver com serviços prestados pelas corretoras.
A movimentação desses ativos é feita pela ordem do cliente através de seu contato com a assessoria da corretora, ou livremente, pelo home broker, sistema ligado diretamente a bolsa de valores, em que o investidor compra e vende ações por meio de operações realizadas na internet. As transações acontecem da seguinte forma: José quer vender papéis de uma companhia e João quer comprar títulos da mesma empresa. Passa-se a ordem de compra e venda às corretoras de cada um, que comunicarão os pedidos ao sistema eletrônico de negócios da bolsa de valores. Eles serão comparados em tempo real e caso estejam em conformidade com o que querem os investidores o negócio é fechado: José vende as ações e João as compra. Caso contrário, o sistema continuará procurando ofertas compatíveis até que a transação seja realizada.
Não há um valor mínimo a ser investido. Ele é traçado em função do preço das ações que o investidor pretende adquirir mais as taxas de corretagem. Por esse motivo não é aconselhável que o cliente compre uma única ação, já que não valeria a pena, mas, sim, um lote delas. O preço de cada título varia conforme a valorização da companhia no mercado, podendo ser de R$ 10, R$ 12; como também de R$ 50, R$ 70. Assim um investidor pagaria R$ 5 mil em um lote de 100 ações de R$ 50, por exemplo. Para tanto é interessante que se aplique em empresas de grande liquidez. "A liquidez seria a velocidade com que se pode comprar e vender esses títulos. Empresas que tem os maiores volumes de negócios na bolsa têm maior liquidez. Você pode vender a hora que bem entender. Não precisa esperar comprador para isso", explica José Góes, analista da corretora WinTrade/Alpes.
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