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Liderança

Mulher solteira procura... ou não!


Pesquisas apontam que profissionais bem-sucedidas têm maiores chances de ficar sós. Mas, por quê?


Texto Mirella Stivani
Fotos: Shutterstock

Casar ou não casar?

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que o número de casamentos aumentou 4,5% no Brasil em 2008 na comparação com 2007 - foram 959.905 uniões no ano passado. Além disso, mulheres entre 20 e 24 anos representaram 29,7% e lideraram o número de casamentos. No entanto, este resultado apresenta queda se comparado ao ano de 1998, quando chegou a 31,6% do total.

Se os casamentos continuam em alta, mas o número de mulheres solteiras aumentou, o que pode ter mudado? O maior acesso a cursos superiores e a consequente ascensão profissional podem ser uma hipótese, mas não explicam tudo. "Não há uma relação direta entre alta escolaridade e não-casamento. Ocorre que, para determinadas mulheres, o foco na carreira e no trabalho é prazeroso, estimulante, sendo mais difícil compatibilizá-lo com o casamento tradicional, que ainda requer uma dedicação muito grande. Ao morarem sozinhas ou permanecerem solteiras, elas experimentam relações, às vezes, mais estáveis e duradouras. Fora das convenções e cargas do matrimônio e da maternidade, as mulheres se sentem livres para realizarem outras atividades criativas e profissionais, além de dedicarem tempo à construção de relacionamentos gratificantes com amigos e familiares. E nem por isso são menos felizes ou realizadas", defende Eliane.

E se alguém acredita que os homens não gostam de mulheres independentes e bem-sucedidas e por isso fogem delas (deixando uma legião de "solteironas" por aí), Sheila argumenta o contrário. "Eles não se assustam com a mulher que trabalha, só não desejam ter uma "chefe" em casa. Segundo pesquisa realizada com os homens cadastrados na Agência Par Ideal, eles querem uma esposa companheira e estão dispostos a ajudar na educação dos filhos e a dar apoio à esposa. Dos homens cadastrados à procura de uma parceira, 98,3% afirmam que estão dispostos a ajudar na educação dos filhos. Nas tarefas domésticas, 93,7% garantem que ajudariam".

"Apesar de todas as conquistas femininas dos últimos tempos, alguns estigmas ainda permanecem na sociedade brasileira. Enquanto homens solteiros são vistos pessoas que "sabem aproveitar a vida", as mulheres que não se casam são tachadas de "encalhadas"

 

Estigma da sociedade

Apesar de todas as conquistas femininas dos últimos tempos, alguns estigmas ainda permanecem na sociedade brasileira. Enquanto homens solteiros são vistos pessoas que "sabem aproveitar a vida", as mulheres que não se casam são tachadas de "encalhadas". E esse preconceito pode surgir também entre o público feminino.
"Entre as várias pesquisas que já realizei, constatei que as brasileiras centram o seu discurso na figura masculina. Repetem, insistentemente, que 'falta homem no mercado'. As que se mostraram mais satisfeitas com suas vidas, são aquelas casadas há muitos anos. A partir dos depoimentos das pesquisadas, constatei a existência de uma riqueza extremamente valiosa para elas: o marido. Ter um casamento considerado sólido e satisfatório é considerado um verdadeiro capital. As casadas sentem-se poderosas por terem 'um produto raro e altamente valorizado'. Assim, as mulheres que não têm este capital, são vistas como fracassadas", aponta Mirian Goldenberg, antropóloga e professora do Departamento de Antropologia Cultural e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Portanto, quando o assunto é "profissão x família", a decisão sobre qual caminho seguir varia e depende dos anseios e desejos de cada pessoa. E para quem não quer abrir mão da carreira e nem do desejo de ter uma família, não precisa desanimar. Afinal, muitas mulheres conseguem se adequar perfeitamente bem à jornada dupla e vivem plenamente felizes. Como foi dito anteriormente, é tudo uma questão de escolha. "É perfeitamente possível conciliar a maternidade com a vida afetiva e profissional, desde que a mulher se estruture para isso e não crie expectativas, nem sentimentos de culpa pelos momentos de ausência em casa. E que também saiba que muitas vezes terá que abrir mão de certos cargos na empresa em função da família, principalmente quando os filhos necessitam de cuidados", finaliza Sheila.

Hipertexto
informação extra

No livro Creating a Life: Professional Women and the Quest for Children, Sylvia Ann Hewlett entrevistou 1200 mulheres em cargos de chefia, com idade entre 28 e 55 anos, e concluiu que, apesar do avanço profissional das mulheres, a maioria ainda sofre com a dificuldade de conciliar carreira e família.

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